“É cavaquinho ou bandolim?” – essa foi a pergunta que me marcou ao final do papo entre os vizinhos, ali na escadaria do edifício.


O tempo é o da pandemia da Covid-19. A duração desse estado batia em nove meses, no mês doze de 2020. E os personagens, vizinhos de moradia um andar acima do outro. Dois homens de vidas bem diferentes. O do primeiro andar, aposentado há pouco. O do segundo andar, jovem trabalhando em home office o ano todo e voltando a andar após uma cirurgia no meio da pandemia. O horário, recorrentemente cedo: sete da manhã, às vezes, uns minutos antes disso. Bom, e o motivo.. Ah! O motivo era um barulho! Comum em casos de vizinhança, não é? Ainda mais frequente nesse tempo de tanta gente em casa!


E então, em uma manhã qualquer, o morador de baixo manda uma mensagem apontando o barulho de antes das sete! O de cima para e marcam uma conversa. E na conversa falam um pouco sobre o estado de saúde de um, dos tempos de reclusão e, sobretudo, do barulho. Argumentos pra lá e pra cá, com aquela pitada de: a obra da área privativa começava às sete e nunca houve reclamação. Como pode reclamar agora? Foram os minutos anteriores?


Mas aí, veio a pergunta relacionada diretamente à questão: “É cavaquinho ou bandolim?” O barulho vinha daí, desse som tocado despretensiosamente, ao que foi respondido: “São dois cavacos, mas um é afinado como bandolim mesmo”.


E a solução, tão simplesmente surgiu, fluindo como os acordes:


“Você pode tocar na sala ao invés de tocar no quarto que é exatamente correspondente ao meu? Acordei quarenta anos às seis, e agora estou indo até mais tarde..” – “Sem problemas! Trocarei o lugar do som! Passar bem!”


Bingo! Resolvido! Com papo, com entendimento, com diálogo e compreensão!


• Esse é um caso real com pitadas do meu olhar.

Janaína Prates, mediadora de conflitos, em dezembro de 2020.

Texto por Janaína Prates – Sócia-Diretora da Mediação do Morar

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